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HISTÓRIAS

José, comerciante de vinhos no Bombarral

José Veríssimo Duarte (1855-1925) nasceu em Simbres, concelho de Armamar. Ainda muito jovem abandonou a casa paterna à procura de trabalho. Na vila do Bombarral foi contratado por uma grande empresa agrícola da região, a Quinta da Granja. Aos 30 anos casou e, com o apoio do sogro, abriu uma loja de secos e molhados, no centro da vila. No final do século XIX era uma das grandes empresas da Estremadura, distribuidora de mercearias por grosso. Um dos principais negócios da firma era a venda de vinho a granel, para as tabernas de Lisboa. A região do Bombarral tinha muitos viticultores e os armazéns da "Veríssimo Duarte e Companhia Lda" tinham capacidade de compra e armazenamento de mais de 5.000 hectolitros. A linha de comboio do Oeste permitia um eficaz escoamento dos vinhos para a capital. O negócio fê-lo um homem rico. No centro da vila construiu um grande casa junto aos armazéns da firma e da "cerca", um espaço murado de mais de 10.000 metros quadrados. Teve apenas uma filha, Júlia, que foi educada em casa com todo o esmero, por professores residentes. Com a implantação da República fez parte do movimento reivindicativo da elevação do Bombarral a sede de concelho, o que foi alcançado no ano de 1915. Fez parte da 1ª vereação da Camara Municipal e foi o seu segundo presidente. Faleceu de pneumonia com 70 anos de idade. Era o bisavô materno do proprietário da Quinta do Cerrado da Porta.

António, pequeno viticultor na Bairrada

António Pereira (1890-1958) nasceu e toda a vida viveu no lugar da Mata, Curia, em pleno coração da Bairrada. Aos 9 anos de idade começou a trabalhar como aprendiz de padeiro, profissão que exerceu até aos 30 anos, quando herdou alguns terrenos, por morte do pai. Passou então a trabalhar exclusivamente na agricultura. Eram os tempos do pós Grande Guerra e a miséria grassava no Portugal rural. Mas apesar de viver pobremente da agricultura, em 1925 tomou duas decisões: construir uma casa e enviar o seu filho único, de 11 anos, para estudar em Coimbra. Na aldeia, esta ultima decisão foi considerada uma loucura. Não é que ele queria ter um filho doutor?! Mas a casa ficou pronta em 1928 e o filho terminou o liceu e licenciou-se em Medicina em 1941. Trabalhou muito, apenas com a ajuda da sua mulher, Maria Rosmaninho. A casa foi em grande parte construída com as suas próprias mãos. Para pagar os estudo do filho foi preciso várias vezes pedir dinheiro emprestado. Havia porcos, galinhas e uma horta para as necessidades da casa. Os rendimentos vinham sobretudo de meia centena de oliveiras e de uma vinha com cerca de 2 hectares de uvas baga, a casta típica da Bairrada. Sozinho cavava a terra, podava a vinha, sulfatava as videiras. O vinho era feito na adega da casa e vendido diretamente ao povo ou às empresas vinícolas de Anadia. E assim foi até ter sofrido uma queda que o deixou paraplégico aos 67 anos, quando podava uma oliveira. Morreu de tristeza, alguns meses depois. Era o avô paterno do proprietário da Quinta do Cerrado da Porta.